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Extinção anterior aos dinossauros definiu evolução dos vertebrados terrestres

Posted by BG em 23/05/2010

As extinções em massa são capazes de relançar os dados da evolução, defende um estudo publicado hoje na revista “Proceedings of the National Academy of Science”. Mataram os dinossauros e permitiram que os mamíferos proliferassem há 65 milhões de anos, mas tiveram implicações mais subtis nas nossas vidas como termos cinco dedos em vez de seis.

No final do Devónico, há mais de 360 milhões de anos, os vertebrados com quatro patas chamados tetrápodes já tinham iniciado a colonização da terra. A maioria, no entanto, ainda se encontrava no mar. Um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Science” mostra que foi uma extinção em massa ocorrida no fim deste período que ditou as linhas evolutivas de peixes e de tetrápodes que ainda hoje existem.

“Foi tudo atingido, a extinção foi global”, disse a principal autora do estudo, Lauren Sallan, da Universidade de Chicago. “Apagou a diversidade dos vertebrados em cada um dos ambientes, tanto em água doce como nas regiões marinhas, e criou um mundo completamente diferente”, explicou em comunicado.

Fonte: Jornal Público

O período Devónico ocorreu entre os 416 e 359 milhões de anos. Foi durante esta altura que as plantas colonizaram massivamente os continentes e apareceram os primeiros fetos. A vida animal estava bem estabelecida no mar, os peixes ósseos, a maioria dos peixes que conhecemos hoje e os peixes cartilagíneos, como os tubarões e as raias, faziam parte de um grupo mais vasto de peixes como os placodermes, que dominavam os oceanos.

“O Devónico é conhecido como a Idade dos peixes, mas é o tipo errado de peixes”, explicou Sallan. “Quase tudo o que é dominante durante o Devónico morreu no final do período e foi substituído”, explica a investigadora.

O que o artigo põe em causa é a forma como isso aconteceu. Sabia-se da existência de dois fenómenos de extinção nesta altura. Um há 374 milhões de anos, que estava incluído nas cinco grandes extinções da Terra, e outro cerca de 15 milhões de anos depois – chamada extinção de Hangenberg.

“É uma grande extinção durante uma altura que já era considerada crítica para a evolução dos vertebrados, por isso é surpreendente que tenha passado despercebida durante tanto tempo”, disse Sallen. “Mas foram necessários os métodos correctos para revelar a sua magnitude.”

Os investigadores analisaram fósseis de vertebrados encontrados em 66 pontos do mundo entre o final do Devónico e o início do período Carbónico. O estudo mostra mudanças abruptas na composição das espécies e conclui que mais de 50 por cento da diversidade desapareceu.

Causa desconhecida

O número baixo de fósseis encontrado durante o início do Carbónico sempre chamou a atenção dos cientistas. Mas associava-se a más condições de fossilização. O que estes autores argumentam é que após um fenómeno abrupto de extinção, a proliferação explosiva de novas espécies demora a ocorrer, e isso transparece no registo fóssil.

A comunidade científica olhava para o início da evolução dos vertebrados como uma sucessão e substituição gradual das espécies. Este estudo vem mostrar que ocorreu uma redução abrupta e as espécies que sobreviveram foram uma pequena proporção do que existia. O que restou definiu a evolução de todos os vertebrados: primeiro os anfíbios, depois dos répteis e finalmente os mamíferos e as aves.

Segundo os autores, as extinções removem um certo número de variações que ocorrem para cada morfologia. “O número de dígitos era variável nos tetrápodes [do final do Devónico] mas estabilizou no limite máximo de cinco [nas espécies que vieram a seguir]”, explica o artigo.

Quanto à causa desta extinção em massa, ainda se sabe pouco. Há dados que mostram a existência de uma glaciação que diminuiu a altura média do mar. Mas o que fez com que a linha dos tetrápodes ficasse definida para o resto da história da Terra ainda está por apurar.

Fonte: Jornal Público

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