Biologia e Geologia na Escola

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Primeiro ensaio clínico com células estaminais de embriões já arrancou

Posted by BG em 14/10/2010

Nada se sabe sobre o paciente em causa. Apenas se sabe que tem uma lesão da espinal medula, com dias, e que está parcialmente paralisado. Mas aquilo que metade do mundo científico esperava – as terapias de regeneração da espinal medula com células estaminais embrionárias – já começaram. Os resultados deste ensaio, ainda em fase inicial, são aguardados com expectativa perante a polémica do tema.

O arranque deste ensaio clínico tornou-se possível desde que, em Agosto a Food and Drug Administration, a entidade que regula a saúde nos EUA, autorizou que fosse levado a cabo.

“Estamos muito optimistas, disse ao Washington Post Thomas Okarma, presidente da Geron Corp, a empresa da Califórnia que está a conduzir os ensaios. “Se estivermos certos podemos revolucionar o tratamento de muitas doenças crónicas”. Para já trata-se de tentar recuperar os movimentos de um paciente paralisado, não há mais de 14 dias, e com uma paralisia parcial. O paciente, hospitalizado no Sheperd Centar de Atlanta receberá milhões de células embrionárias durante alguns dias. O objectivo, nesta fase clínica, é testar a tolerância do paciente ao tratamento.

Fonte: Jornal Público

Da diabetes ao Alzheimer, passando pela medicina regenerativa em certos casos de cegueira ou de lesões medulares, as estaminais embrionárias, porque são células pluripotentes, capazes de se transformarem em qualquer tipo de célula do corpo, são vistas como muito promissoras.

Este não é só um tema de ciência. É um tema político e ético-religioso também. Sem conseguirem uma resposta consensual à pergunta – quando começa a vida humana? – apoiantes e críticos das terapias com células estaminais de embriões excedentários das técnicas de reprodução medicamente assistida dividem-se sobre alcançar o El Dorado da medicina regenerativa e a ideia de perder uma vida, a do embrião (mesmo um embrião congelado sem projecto parental), para salvar outra. Com a certeza de que um e outro lado não sabem ainda responder ao certo quão eficazes seriam estas terapias. Mas os testes laboratoriais e em animais com estas células têm fornecido pistas entusiasmantes para a ciência.

Depois de anos de entraves do executivo de George W. Bush ao financiamento público da investigação com embriões, a era Obama veio trazer uma lufada de ar fresco a esta área levantando esta proibição. Mas em Agosto passado um juiz do tribunal federal invocou a ilegalidade da autorização dada pelo executivo Obama com base numa premissa constitucional que impede o uso de dinheiro público para destruir embriões.

A investigação privada tem seguido de vento em poupa no país que apresenta o estado da arte na matéria. E o financiamento público também não parou em estados como a Califórnia, onde desde 2004 um referendo deu luz verde ao financiamento público com estaminais embrionárias. Embora com regras muito apertadas.

Estaminais e mitos urbanos

Helena Alves, directora do Centro de Histocompatibilidade do Norte, que gere o primeiro banco público de células estaminais do cordão umbilical, frisa a importãncia destes estudos clínicos controlados para dignificar a ciência em torno deste tema.

“Acho que estes estudos controlados são muito importantes. Há demasiadas notícias e estórias de pseudo tratamentos. Os resultados de melhorias necessitam de base científica e controlo clínico por entidades sanitárias independentes”, disse ao PÚBLICO. “Por motivos menos nobres as terapias com células estaminais estão a transformar-se em mitos urbanos”.

A especialista não nega contudo a expectativa da comunidade científica em trono destes ensaios. mas frisa que é um princípio: “Todos nós temos a maior expectativa sobre a aplicação terapêutica das células estaminais, mas o que vem na notícia é pouco mais do que uma injecção, esperando-se que venham a nidificar células no sítio da lesão e que haja melhoria de reconstituição da função.” E lembra que há que evitar a comercialização selvagem deste tipo de tratamentos.

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