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Sonolência dos Automobilistas Portugueses

Posted by BG em 23/03/2011

Num estudo intitulado «Sonolência dos Automobilistas Portugueses», primeiro do género no nosso país, verificou-se que 12 por cento dos condutores já adormeceram enquanto conduziam. O estudo foi realizado pela Associação Portuguesa do Sono e faz parte da campanha «Conduzir com sono pode matar», que se integra no Dia Mundial do Sono, hoje assinalado.

No último ano, 23 por cento dos condutores portugueses experienciaram, pelo menos uma vez, uma situação de sonolência ao volante e 3 por cento chegaram mesmo a adormecer enquanto conduziam. A maior parte são homens, com idades entre os 25 e os 34, com status social elevado, residentes na grande Lisboa, com alto risco de apneia e com uma má qualidade de sono.

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Fonte: Ciencia Hoje

Marta Gonçalves, Presidente da Associação Portuguesa do Sono, psiquiatra e especialista em sono, explica que “os resultados apurados estão em linha com o que é verificado noutros países europeus. A APS definiu o tema da sonolência ao volante como prioritário este ano porque as estimativas internacionais apontam para que a sonolência esteja relacionada com 20 por cento dos acidentes rodoviários”.

Devido à sonolência ao volante, 2,3 por cento dos condutores teve ou quase teve um acidente. Nesta percentagem, a maior parte são homens, com idades entre os 18 e os 24 anos, com um status social médio e médio alto. São residentes na Grande Lisboa, com alto risco de apneia no sono, com uma má qualidade de sono e obesos.

Estes condutores bebem em média três cafés por dia, número acima da média da população. Os resultados mostram ainda que 50 por cento dos acidentes por sonolência aconteceram entre a meia-noite e as 6h00 da manhã, 33 por cento entre o meio-dia e as 18h00 e 17 por cento entre as 18h00 e a meia-noite. Em termos de local, 50 por cento destes acidentes dão-se nas estradas secundárias, 17 por cento em auto-estrada e 33 em cidade.

Questionados sobre que medidas utilizavam habitualmente para combater a sonolência ao volante, a maioria dos condutores portugueses adopta como primeira medida de segurança parar o carro (42 por cento) e como segunda medida de segurança beber café ou outra bebida cafeinada (41 por cento), terceira, abrir a janela (15 por cento) e quarta, dormir (13 por cento).

Quem costuma adoptar como principal medida de segurança abrir a janela do carro quando sente sonolência ao volante, adopta como segunda medida de segurança aumentar o som da rádio (47 por cento) e parar (31 por cento). Na verdade só 1 por cento refere que a primeira medida de combate ao sono é dormir.

“É preciso passar a mensagem que é importante parar para dormir. É a única maneira de garantir uma condução segura. Os estudos mostram que parar, beber um café, ou outra bebida energética com pelo menos 200mg de cafeína, e dormir 15 a 20 minutos dá-nos mais 60 a 90 minutos de condução segura”, explica Marta Gonçalves.

Condutores portugueses

Os condutores portugueses dormem em média 7 horas por dia. As principais dificuldades em adormecer devem-se ao facto de acordar a meio da noite ou de manhã cedo antes do despertador e ainda por interromper o sono para à casa de banho. Segundo os dados do inquérito, da percentagem em estudo a maior parte não recorreu não teve dificuldade em dormir no último mês e o recurso à medicação foi mínimo.

Os indivíduos tidos em conta no estudo (91 por cento) afirmam ter uma boa qualidade de sono (auto-avaliação), porém os resultados do questionário Global PSQI Score classificam 35 por cento com uma má qualidade de sono – associado a um alto risco de apneia no sono.

Quanto à sonolência em geral, os portugueses são pouco atreitos a deixarem-se adormecer em situações do dia-a-dia propícias para que isso aconteça. Segundo a escala de Epworth, apenas sete por cento dos condutores sofre de sonolência diurna excessiva e dois por cento de sonolência patológica. São mais as pessoas com um alto risco de apneia no sono que apresentam uma sonolência diurna excessiva.

Existe uma prevalência de dez por cento no nosso país de pessoas com risco elevado de apneia no sono. A maioria não tem nenhuma doença do sono diagnosticada (98 por cento) e apenas um por cento tem a doença já detectada.

Os mais propensos

São as pessoas com idades superiores a 55 anos, de ‘status’ social médio baixo, residentes na Grande Lisboa, com uma má qualidade de sono e obesos que apresentam uma maior propensão a ter esta doença.

Para o estudo foram considerados 900 indivíduos, com 18 e mais anos (idade a partir da qual é legalmente possível tirar a carta de condução de veículos ligeiros em Portugal), residentes no Continente. Foram considerados indivíduos residentes em lares com telefone fixo e em lares sem telefone fixo (com telefone móvel).

A informação foi recolhida através de entrevista telefónica, pelo sistema CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing), com base em questionário elaborado pela GfK Metris e aprovado pela APS. Os trabalhos de campo decorreram entre os dias 25 e 28 do mês passado.

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